domingo, 17 de abril de 2016

Gerações

Era domingo. Constança e o avô António foram passear para o parque. Era outono e estava um maravilhoso dia de sol. O parque estava lindo, porque estava repleto de folhas de várias cores: vermelho, castanho, laranja...
As árvores começaram a ficar despidas, como que a despedirem-se da estação. De vez em quando, o sol era tapado por nuvens que começavam a ficar negras. O Ambiente estava abafado.  Constança e o avô foram-se abrigar debaixo da sombra de uma árvore.
Enquanto descansavam debaixo da árvore, aproveitavam para contar histórias sobre o tempo do avô. Mas, de repente, pingas grossas começaram a cair sobre as suas cabeças. Constança começou a sentir medo dos relâmpagos que ouvia ao longe e agarrou-se ao avô.
_ Não tenhas medo, Constança! -disse o avô agarrando-se com carinho. 
Ainda não tinha acabado de falar, quando começou a chover torrencialmente. Caiu um raio numa das árvores perto deles e o avô e a neta vão para casa, pois moravam ali perto. Constança e o avô António chegaram todos molhados. O avô, preocupado com a saúde da neta, mandou-a trocar de roupa:
_ Constança, vai tomar banho e trocar de roupa, pois podes ficar constipada. Estás encharcada! –disse o avô, que estava um pouco cansado. E continuou: _ Enquanto tu vais, eu vou acender a lareira e preparar alguma coisa para comermos.
_ Avô, é sempre tão fofinho! – Está sempre atento a tudo! – exclamou comovida.
Já aconchegada em frente à lareira, avô e neta continuaram a conversa que  tinham interrompido no parque.
_ Porque não continuas a contar aquela história, em que o avô foi castigado só por ter fugido, sem permissão dos pais, para brincar com os seus amigos ao fito! –perguntou Constança, curiosa.
_ Está bem! –respondeu satisfeito o avô.
O avô António contou que, naquele dia, combinara com os amigos, depois do almoço, ir jogar ao fito, junto  à escola primária, num terreno de terra batida. Tinha, naquela altura, dez anos. Encontraram-se por volta das duas e meia. Apenas tinha faltado um amigo, o Afonso, aquele que tinha uma tasca. O pai pediu ao António para ir cortar erva para os animais da quinta, mas ele não obedeceu e foi brincar com os seus amigos. Estavam naquela brincadeira, quando alguém entre os amigos viu o pai do António. José, que estava mais próximo do amigo, disse-lhe, aflito:
_ António, o teu pai vem aí! Foge! E continuou._ Pelo andar e pela cara , parece estar furioso.
_ E está. _ confirmou o Daniel, também ele aflito com o que estava a acontecer. – Ele trás um cinto atrás das costas! Ai meu Deus! – e começou a fugir.
António, que já conhecia o pai, optou por ficar e pedir-lhe desculpa, justificando a sua desobediência com a vontade de brincar. O pai não lhe bateu daquela vez, mas obrigou-o a ir buscar a comida para os animais. António foi  e não refilou.
Depois de ter terminado de contar um episodio da sua vida, o avô António permaneceu algum tempo, talvez com saudades da sua infância e dos tempos que já lá iam.
A neta deixou-o saborear aquele momento e, minutos mais tarde, interrompeu a divagação perguntando-lhe:
_ Avô, a história já acabou?
_ Já.
_ Mas avô, eu desobedeço tantas vezes à mãe, porque estou ora a jogar no computador, ora a trocar mensagens no face e ela nunca me castigou com nada...
_ Pois é, os tempos mudam....  – exclamou o avô pensativo.
_ Avô, sabe que eu até gosto das histórias e das brincadeiras que me conta! – e continuou. –Os meus colegas da escola não sabem brincar, pois só andam à porrada, berram alto, ou ouvem música no smartphone e MP4.
_ No quê?! – perguntou o avô que não percebeu o que ela dissera.
_  Vamos beber o chá e, depois, jogar à malha lá para fora, agora que o tempo já melhorou.
Regressaram ao presente e a menina passava a divertir-se com as brincadeiras diferentes do tempo do avô.




Alunos das Oficinas de Português

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